Uma resposta do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto aos efeitos do encarceramento em massa nas periferias.
Você pode contribuir com o Centro de Apoio à Família enviando pix para centrodeapoioafamiliamtst@gmail.com ou apontando sua câmera para o QR Code abaixo.
O Brasil é um dos países que mais encarcera em todo o mundo. São mais de 750 mil presos no país, em sua maioria, são homens jovens negros moradores das periferias urbanas, o retrato de uma sociedade racista e desigual que coloca maior vigilância sobre a população periférica e pune mais severamente os mais pobres.
Esses milhares de presos vivem em celas superlotadas e insalubres que colocam as suas vidas em risco. A calamidade é tamanha que o Supremo Tribunal Federal declarou, no âmbito da ADPF 347 proposta pelo PSOL em 2015, que o sistema prisional brasileiro se encontra em estado de coisas inconstitucional, isto é, a mais alta Corte brasileira reconheceu que o Estado não tem garantido os direitos daqueles que mantém sob a sua custódia, e mais que isso, declarou que o Estado tem violado os direitos das pessoas presas diuturnamente, falhando em prover o básico para a sua sobrevivência.
Sob essas condições, aquilo que seria uma pena de privação de liberdade se transforma em uma pena muito mais grave: é comum que os presos passem fome e frio, fiquem sem assistência médica adequada e não tenham acesso a roupas e itens de higiene básicos para uma vida saudável. Por conta disso, os presos dependem quase inteiramente dos seus entes queridos para manterem alguma dignidade e bem-estar. Esse contexto de privações tornou as suas visitas e o jumbo os principais pilares da sobrevivência da pessoa presa.
O MTST está há anos nas periferias e quebradas Brasil afora, fazendo a luta pela moradia. Sabemos que o sofrimento daqueles que estão presos ultrapassa os muros da prisão. São as pessoas do lado de fora, no mais das vezes, mulheres periféricas que assumem a tarefa de cuidar dos familiares privados de liberdade e se expõem aos desafios que isso acarreta: é preciso ter dinheiro para o jumbo, tempo para visitar, enfrentar revistas humilhantes nas filas dos presídios, acompanhar o processo e etc. São mães e pais, companheiras e companheiros, irmãs e irmãos, filhas e filhos que precisam se movimentar para garantir o básico para seus familiares presos: roupas, alimentos e produtos de higiene. O Estado - que inventou a prisão - não fornece nada aos que estão atrás das grades; descumpre as próprias leis.
No estado de São Paulo, com o projeto de interiorização dos presídios levado a cabo pelos governos do PSDB, é comum que as pessoas presas sejam enviadas para presídios distantes de onde moram, o que aumenta o sacrifício exigido das famílias periféricas que precisam dar suporte ao preso e enfrentar longas jornadas para visitá-lo.
Desde 2020, o MTST tem inaugurado Cozinhas Solidárias nas periferias de todo o Brasil, trata-se de uma iniciativa do Movimento para combater a fome, que voltou a assombrar o povo brasileiro depois de anos de ajuste fiscal, desemprego, pandemia e bolsonarismo.
Para levar adiante essa missão, o MTST criou o Centro de Apoio à Família, que nasce como um projeto-piloto na Cozinha Solidária do Jardim Iguatemi, zona leste de São Paulo, para a encarar de frente as consequências brutais do encarceramento em massa nas periferias do Brasil. O CAF do MTST fornecerá, gratuitamente, itens do “Jumbo”às famílias cadastradas, além de informações básicas e encaminhamento de demandas para os serviços públicos de assistência jurídica, social e de saúde.
O MTST está há quase 25 anos na luta pela moradia para o nosso povo. O que nos move, entretanto, não é apenas o sonho de um teto para todos. É a conquista de uma vida digna para todos os trabalhadores brasileiros. Uma vida em que não existam a fome, a falta de um lugar onde morar e a opressão do Estado, nas cadeias ou fora delas.